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Anthropic tem corte de US$ 500 bi na avaliação antes do IPO

Vista aérea de um grande edifício industrial.

Anthropic tem corte de US$ 500 bi na avaliação antes do IPO

Investidores reduziram a expectativa de avaliação da Anthropic de US$ 2 trilhões para US$ 1,5 trilhão, um corte de US$ 500 bilhões (cerca de 25%), segundo a Reuters, em reportagem publicada pelo Canaltech. A revisão foi discutida após uma reunião com investidores realizada na quarta-feira (14), na sede da empresa em São Francisco, nos Estados Unidos, e antecede a abertura de capital prevista para novembro. O número não representa perda efetiva de mercado, porque a Anthropic continua sendo uma empresa privada: trata-se de uma revisão de quanto alguns investidores acham que a companhia poderá valer quando as ações começarem a ser negociadas.

Por que a avaliação da dona do Claude caiu US$ 500 bilhões?

De acordo com quatro fontes ouvidas pela Reuters, o motivo principal foi a desaceleração no crescimento da receita, apesar de a empresa seguir apresentando resultados bilionários. Na reunião, a Anthropic revelou que faturou US$ 16,8 bilhões no terceiro trimestre de 2026, um crescimento de 45% em relação aos três meses anteriores. No segundo trimestre, a receita havia mais do que dobrado, chegando a US$ 11,6 bilhões.

A companhia continua crescendo, mas em ritmo menor do que parte dos investidores esperava. Com o valor atualizado, a Anthropic ocuparia hoje a 11ª posição entre as empresas mais valiosas do mundo, segundo a Reuters. O IPO da dona do Claude é tratado como um dos principais testes para medir o interesse dos investidores nas empresas que desenvolvem modelos avançados de IA; a OpenAI, dona do ChatGPT, também avalia uma possível entrada na Bolsa.

O que receita, lucro e custos revelam sobre o modelo de negócio

A Anthropic informou ter registrado lucro ajustado entre julho e setembro, cálculo que desconsidera determinadas despesas, o que não significa necessariamente lucro líquido no período. Em 2025, a companhia teve perdas líquidas de aproximadamente US$ 42 bilhões, segundo documentos apresentados para a abertura de capital. Cerca de US$ 34 bilhões correspondem a ajustes contábeis relacionados à valorização de instrumentos financeiros que podem se transformar em ações; o prejuízo operacional ficou em aproximadamente US$ 8 bilhões.

Do lado do custo, a empresa assumiu compromissos de pelo menos US$ 518 bilhões ao longo de uma década com serviços de nuvem, infraestrutura e capacidade computacional, segundo a Reuters. Em 2025, gastou US$ 7,33 bilhões com computação e infraestrutura, aproximadamente três vezes mais do que no ano anterior.

Conforme a Reuters, o principal questionamento de Wall Street é se as receitas geradas por essas tecnologias conseguirão acompanhar os gastos crescentes com chips, data centers e energia elétrica. O mercado também demonstra preocupação com o aumento do endividamento de empresas que financiam a expansão da infraestrutura de IA: na quinta-feira (15), ações e títulos da CoreWeave, companhia especializada em fornecer capacidade computacional e apoiada pela Nvidia, registraram quedas.

Como separar adoção real de IA de euforia de valuation

Análise editorial: as perguntas abaixo são critérios de decisão sugeridos por esta redação, não conclusões atribuídas à Anthropic ou à Reuters. Valuation é expectativa de retorno para o investidor; adoção é uso recorrente com resultado operacional. Confundir os dois leva a decisões de compra e de build pior informadas.

1. A receita do fornecedor está acelerando ou desacelerando? Na Anthropic, a taxa passou de mais do que o dobro para 45% entre o segundo e o terceiro trimestre de 2026, segundo a Reuters. Para o comprador, a leitura prática é sobre previsibilidade de preço e de roadmap, não sobre o valor da ação. Contratos com cláusula de reajuste, prazo de aviso e direito de migração reduzem a exposição a mudanças de política comercial.

2. Qual o tamanho do compromisso de infraestrutura assumido pelo fornecedor? Os US$ 518 bilhões em uma década informados pela Anthropic indicam um horizonte longo de capacidade computacional contratada. Para o cliente, isso sugere continuidade de oferta, mas também concentração de poder de negociação. Vale exigir plano de continuidade, limites de dependência, um segundo provedor testado e revisão de permissões, tema próximo ao já tratado na cobertura sobre agentes de IA que contornaram restrições de isolamento.

3. Build ou buy? O gasto de US$ 7,33 bilhões em computação e infraestrutura em 2025, três vezes o do ano anterior, é o tipo de número que só um provedor de plataforma sustenta. A recomendação editorial é reservar o build para o que diferencia o negócio (dados próprios, fluxos proprietários, integração ao produto) e comprar o que é commodity, mantendo a camada de orquestração sob controle interno.

4. O uso medido justifica o custo? Nem a receita de US$ 16,8 bilhões nem o lucro ajustado do terceiro trimestre de 2026 informam se a IA gera retorno dentro da sua operação. Medir adoção por usuários ativos, tarefas concluídas e horas poupadas é o que separa experimento de infraestrutura.

O corte de US$ 500 bilhões na expectativa de avaliação da Anthropic, segundo a Reuters, não encerra a tese de crescimento da IA. Ele desloca a conversa do tamanho do mercado para a aritmética entre receita e custo, a mesma conta que qualquer empresa precisa fazer ao escolher um fornecedor de modelos ou decidir construir a própria capacidade.

Para discutir critérios de seleção de fornecedores de IA e o desenho de uma camada de orquestração própria, o caminho é a conversa com o time da GTM Capital.

Perguntas frequentes

Por que a avaliação da Anthropic caiu US$ 500 bilhões antes do IPO?

Segundo quatro fontes ouvidas pela Reuters, o motivo principal foi a desaceleração no crescimento da receita. A Anthropic faturou US$ 16,8 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 45% sobre o trimestre anterior, enquanto no segundo trimestre a receita havia mais do que dobrado, chegando a US$ 11,6 bilhões.

Quando está previsto o IPO da Anthropic e qual valor está em discussão?

A abertura de capital da Anthropic está prevista para novembro, segundo a Reuters. Investidores passaram a considerar a companhia avaliada em US$ 1,5 trilhão, abaixo dos US$ 2 trilhões projetados anteriormente, revisão discutida após reunião realizada na quarta-feira (14) na sede da empresa em São Francisco.

O corte na avaliação significa que a Anthropic perdeu valor de mercado?

Não. Conforme a Reuters, o valor não representa perda efetiva de mercado, porque a Anthropic continua sendo uma empresa privada. O que mudou foi a expectativa de alguns investidores sobre quanto a companhia poderá valer quando suas ações começarem a ser negociadas.

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