A Bain & Company projeta que as compras realizadas por agentes de inteligência artificial podem movimentar até US$ 6,2 trilhões em vendas até 2030, segundo material divulgado à imprensa pela consultoria e reportado pela Exame em 19 de outubro de 2026. Nesse cenário, o agente não apenas pesquisa o produto: ele também pode comparar os meios de pagamento disponíveis e escolher o que melhor atende às regras do consumidor. Para bancos, bandeiras e varejistas, a consequência é direta: a preferência do consumidor humano deixa de ser o único critério que define qual cartão passa no checkout.
O que a projeção de US$ 6,2 trilhões da Bain mede
A Bain & Company estima que o comércio por agentes de IA pode chegar a US$ 6,2 trilhões em vendas até 2030. Conforme a Exame, o número corresponde ao volume de compras associado ao modelo, e não à receita das empresas de inteligência artificial nem do setor de pagamentos.
Os agentes de compra executam etapas que hoje exigem a navegação do usuário entre sites e aplicativos. Dentro das permissões recebidas, pesquisam produtos, comparam ofertas e podem iniciar o pagamento em nome de uma pessoa, de acordo com a reportagem.
O avanço depende de três condições descritas pela Exame a partir da avaliação da Bain: autorização do consumidor, identificação dos agentes e mecanismos de segurança. Sem esses elementos, segundo a consultoria, a autonomia da transação não se sustenta.
Pesquisar com IA e delegar uma transação são etapas distintas, e a Exame trata as duas separadamente. Uma comparação de preços mantém a decisão e o pagamento com a pessoa; permitir que o sistema conclua o pedido exige estabelecer o que ele pode comprar, quanto pode gastar e em quais condições deve pedir confirmação.
Por que o hábito de usar sempre o mesmo cartão perde peso
Um consumidor pode usar sempre o mesmo cartão por conveniência. Segundo a Exame, um agente programado para buscar determinado benefício tende a comparar alternativas a cada pedido, o que coloca a marca do banco ou do emissor em concorrência com uma avaliação automatizada.
O critério de escolha depende do objetivo recebido pelo sistema. Priorizar recompensas para o comprador e reduzir custos para o lojista são objetivos diferentes, e a reportagem registra que a autorização e as regras dadas ao agente fazem parte da definição de como a compra será executada.
Na descrição da Bain, o agente poderá avaliar custos de transação, velocidade e programas de recompensas antes de selecionar o pagamento. A escolha passa a depender dos critérios que o sistema consegue consultar e aplicar naquele momento, e não apenas da relação construída entre o cliente e o emissor.
O que bancos e varejistas precisam organizar para serem escolhidos
Na avaliação da Bain, a oportunidade para as instituições financeiras inclui oferecer serviços que permitam reconhecer o agente, verificar sua autorização e proteger a transação. De acordo com a consultoria, esses serviços podem gerar receitas mesmo quando a interação com o consumidor acontece em uma plataforma de terceiros.
“A grande virada de chave para o setor financeiro é não apenas acompanhar essa tecnologia, mas liderar a criação da infraestrutura de confiança e segurança que vai validar cada transação executada por algoritmo”, afirma Luiza Cerri, sócia da Bain & Company, em comunicado citado pela Exame.
Cerri detalha de onde essa receita pode vir: “A estratégia inclui desde a monetização de infraestruturas de verificação de identidade e protocolos de segurança até o aproveitamento de dados proprietários para reforçar a proteção contra fraudes em transações autônomas”.
Análise editorial, não uma afirmação da Bain: a leitura prática para um líder de produto ou de meios de pagamento é que a oferta precisa ser legível por máquina antes de ser atraente para o humano. Isso implica descrever custos e recompensas em formato consultável, manter identificação do agente e registrar a autorização de forma auditável. São hipóteses de trabalho, não resultados observados.
Para o varejista, a mesma lógica de análise se aplica em outra ponta: aceitação, custo de transação e prazos passam a ser parâmetros que um agente pode comparar a cada pedido. A reportagem da Exame não detalha como lojistas devem se preparar, mas registra que reduzir custos para o lojista é um objetivo distinto de maximizar recompensas para o comprador.
A busca por padrões comuns já mobiliza empresas do setor, segundo a Exame, que cita a Visa no trecho final da reportagem. O tema da autonomia sem controle também já foi discutido aqui em agentes de IA que contornaram regras de isolamento, e a pergunta sobre ser descoberto e operável por agentes aparece em Agentes de IA: seu produto digital está preparado?
A disputa que a Bain & Company descreve é por preferência de um sistema, não apenas de uma pessoa. Se a sua empresa precisa definir como dados, ofertas e interfaces serão apresentados a agentes de IA, a conversa com a GTM Capital pode começar por esse diagnóstico.
Perguntas frequentes
Quanto as compras feitas por agentes de IA devem movimentar até 2030?
A Bain & Company projeta que o comércio por agentes de IA pode movimentar até US$ 6,2 trilhões em vendas até 2030, segundo material divulgado à imprensa e reportado pela Exame em 19 de outubro de 2026. Conforme a publicação, o valor corresponde ao volume de compras do modelo, e não à receita das empresas de inteligência artificial ou do setor de pagamentos.
O agente de IA escolhe o cartão sozinho?
Segundo a Bain & Company, o agente poderá comparar meios de pagamento, custos de transação, velocidade e recompensas, mas dentro das regras autorizadas pelo consumidor. A Exame registra que a autorização e as instruções dadas ao sistema definem o que ele pode comprar, quanto pode gastar e em quais condições deve pedir confirmação.
O que bancos precisam oferecer para serem escolhidos por um agente de IA?
Na avaliação da Bain & Company, as instituições financeiras podem oferecer serviços para reconhecer o agente, verificar sua autorização e proteger a transação, o que pode gerar receitas mesmo quando a interação ocorre em plataformas de terceiros. Luiza Cerri, sócia da Bain, defende que o setor lidere a criação da infraestrutura de confiança e segurança que valida cada transação executada por algoritmo.






