A estimativa para construir e equipar um data center de inteligência artificial de 1 gigawatt na região de Abilene, no Texas, chega a US$ 30 bilhões, segundo levantamento apresentado pela Bloomberg e publicado pela Exame em 17 de outubro de 2026. Chips e servidores concentram a maior parcela do orçamento, com até US$ 17,1 bilhões. Trata-se de um cenário de desenvolvimento, e não de uma despesa já realizada, conforme a reportagem.
Para líderes que avaliam capacidade computacional, a decomposição do custo importa mais do que o total: ela mostra onde o capital fica preso, quais parcelas escapam do controle de quem compra os servidores e por que o prazo de conexão elétrica pode definir a viabilidade do projeto.
O que compõe os US$ 30 bilhões de um data center de 1 GW
No cenário descrito pela Exame, chips e servidores somam US$ 17,1 bilhões, a infraestrutura elétrica responde por US$ 3 bilhões e a refrigeração, por US$ 1,66 bilhão. Há ainda US$ 2,79 bilhões reservados para imprevistos e aumentos de custos.
A conta combina estimativas da consultoria Cushman & Wakefield para o empreendimento com cálculos da Bloomberg Intelligence sobre os equipamentos, segundo a reportagem. O exercício usa a parte superior das estimativas para mostrar o custo potencial de um projeto dessa escala, o que reforça o caráter de cenário, não de orçamento executado.
Essa separação explica por que anunciar um investimento em data center pode significar coisas diferentes, de acordo com a Exame: há o imóvel e seus sistemas de suporte, os equipamentos de computação e as despesas de operação, e nem sempre o mesmo participante paga por todas as etapas.
O relatório da Cushman & Wakefield divulgado em setembro aponta custo médio de desenvolvimento de US$ 17,6 milhões por megawatt para instalações modernas construídas do zero nos Estados Unidos e no Canadá, excluindo chips e GPUs. A Exame ressalva que essa média tem escopo diferente do exercício de Abilene e não deve ser somada a ele.
Por que energia e refrigeração ampliam o investimento
A infraestrutura elétrica responde, em média, por 21% do custo de desenvolvimento das instalações analisadas pela Cushman & Wakefield. Os custos de construção por megawatt subiram, em média, 21% desde a edição anterior do levantamento, publicada no quarto trimestre de 2024.
Segundo a consultoria, restrições na cadeia de fornecedores, salários de profissionais especializados e componentes mais caros pressionam os projetos. O efeito chega ao terreno: a Cushman & Wakefield aponta que terrenos com energia disponível nos principais mercados americanos tiveram valorização anual de 51% em 2026, até a data do levantamento.
No Brasil, a leitura é semelhante. Para Bruno Porto, gerente de Industrial, Logística e Data Center da JLL, a infraestrutura elétrica é o principal obstáculo à expansão do setor, por causa da complexidade das aprovações e das obras necessárias.
A pressão também aparece na cadeia industrial. A WEG anunciou US$ 165 milhões para ampliar a produção de geradores na América do Norte, com a primeira fase de operação prevista para o segundo trimestre de 2027. No consumo, a Agência Internacional de Energia projeta que a eletricidade usada por data centers no mundo passe de 485 terawatts-hora em 2025 para cerca de 950 terawatts-hora em 2030.
Como avaliar a economia de capacidade de IA antes de escalar
Os critérios a seguir são uma análise editorial, não uma recomendação da Bloomberg, da Cushman & Wakefield ou da JLL. Eles partem dos números divulgados e servem como roteiro de due diligence para quem planeja ampliar capacidade.
- Separe o capex por escopo antes de comparar propostas. Chips e servidores (US$ 17,1 bilhões em Abilene) e infraestrutura física (US$ 3 bilhões de elétrica e US$ 1,66 bilhão de refrigeração) são decididos por áreas e fornecedores diferentes; somar médias de escopos distintos, como o indicador de US$ 17,6 milhões por megawatt que exclui GPUs, distorce a comparação.
- Trate a conexão elétrica como variável de prazo, não apenas de preço. A valorização de 51% em terrenos com energia disponível, apontada pela Cushman & Wakefield, e o gargalo de aprovações descrito por Bruno Porto, da JLL, indicam que a disponibilidade de energia pode ser o item que define o cronograma.
- Dimensione a reserva de contingência. No cenário de Abilene, US$ 2,79 bilhões estão separados para imprevistos e aumentos de custos, dentro de uma conta que já usa a parte superior das estimativas.
- Considere a disputa por fornecedores e mão de obra. A Cushman & Wakefield estima carteira global de projetos de cerca de US$ 2,3 trilhões, dos quais US$ 492 bilhões em construção e cerca de US$ 1,8 trilhão em empreendimentos planejados e com compromissos prévios.
O número de US$ 30 bilhões chama atenção, mas a decisão prática está na composição: US$ 17,1 bilhões em chips e servidores, US$ 3 bilhões em infraestrutura elétrica, US$ 1,66 bilhão em refrigeração e US$ 2,79 bilhões de contingência, conforme o levantamento apresentado pela Bloomberg. Para quem precisa dimensionar capacidade de IA, o custo por megawatt (US$ 17,6 milhões, sem chips e GPUs, segundo a Cushman & Wakefield) e o prazo de energia são as variáveis que mais rapidamente transformam uma estimativa em restrição concreta.
Se a sua empresa está avaliando infraestrutura, arquitetura de dados ou o desenho econômico de uma iniciativa de IA, podemos conversar sobre o próximo passo.
Perguntas frequentes
Quanto custa construir e equipar um data center de IA de 1 gigawatt?
A estimativa apresentada pela Bloomberg calcula em cerca de US$ 30 bilhões o custo de construir e equipar um data center de IA de 1 gigawatt na região de Abilene, no Texas. Segundo a Exame, o valor é um cenário de desenvolvimento, e não uma despesa já realizada, combinando estimativas da Cushman & Wakefield com cálculos da Bloomberg Intelligence sobre os equipamentos.
Qual parcela do investimento vai para chips e servidores?
Chips e servidores respondem por até US$ 17,1 bilhões dos cerca de US$ 30 bilhões estimados, a maior parcela do orçamento, conforme a Exame. Na sequência aparecem a infraestrutura elétrica, com US$ 3 bilhões, a refrigeração, com US$ 1,66 bilhão, e US$ 2,79 bilhões reservados para imprevistos e aumentos de custos.
Qual é o custo médio por megawatt de um data center hoje?
A Cushman & Wakefield calcula custo médio de desenvolvimento de US$ 17,6 milhões por megawatt para instalações modernas construídas do zero nos Estados Unidos e no Canadá, excluindo chips e GPUs. A Exame ressalva que essa média tem escopo diferente do exercício de Abilene e não deve ser somada a ele; os custos por megawatt subiram, em média, 21% desde a edição anterior do levantamento, do quarto trimestre de 2024.
A infraestrutura elétrica é o principal gargalo para data centers no Brasil?
Para Bruno Porto, gerente de Industrial, Logística e Data Center da JLL, a infraestrutura elétrica é o principal obstáculo à expansão do setor no Brasil, devido à complexidade das aprovações e das obras necessárias. A avaliação é citada pela Exame em contraste com dados da Cushman & Wakefield, que apontam valorização anual de 51% em terrenos com energia disponível nos principais mercados americanos em 2026.






