O grupo BMW chegou à marca de 1 milhão de carros que saem da linha de montagem dirigindo sozinhos, sem ninguém no banco do motorista, segundo reportagem de Danielle Cassita publicada no Canaltech. O sistema Automated Driving In-Plant (AFW) conduz os veículos da linha até os setores de testes e logística e realiza atualmente cerca de 3.500 trajetos automatizados por dia, com disponibilidade técnica superior a 99,5%. A tecnologia começou como projeto-piloto em 2022, na planta de Dingolfing, na Alemanha.
Para líderes de operações e de produto, o caso desloca uma pergunta de arquitetura: a autonomia precisa estar no veículo ou pode morar na infraestrutura do ambiente? O AFW é a segunda opção.
Como o AFW dispensa a autonomia embarcada no carro
Segundo o Canaltech, o diferencial do sistema é não depender dos equipamentos ou assistências semiautônomas instalados a bordo dos próprios carros. A navegação é coordenada por uma rede de sensores LiDAR nos corredores e galpões da fábrica. Desenvolvida em parceria com a startup suíça Embotech, a infraestrutura calcula as rotas em tempo real e envia comandos diretos para a direção, os freios e o acelerador dos veículos, que desviam de funcionários e empilhadeiras.
O efeito prático é que o recurso funciona em qualquer versão ou configuração de carroceria, de acordo com a reportagem. Na unidade da Mini em Oxford, no Reino Unido, a tecnologia foi além e passou a sincronizar os veículos autônomos com os elevadores de montagem da linha.
Análise editorial, não um dado divulgado pela montadora: a escolha concentra a inteligência em uma infraestrutura compartilhada do galpão, em vez de replicar capacidade autônoma em cada unidade fabricada. É a diferença entre adaptar o ambiente e adaptar o produto.
Onde o AFW já opera e quando chega ao Brasil
A AFW é adotada hoje nos complexos fabris de Dingolfing, Leipzig e Regensburg, em solo alemão, além da unidade da Mini em Oxford, no Reino Unido, conforme o Canaltech. O próximo passo prevê a estreia da solução fora da Europa, com implantação confirmada na fábrica de Spartanburg, nos Estados Unidos, a partir de 2027.
A reportagem informa ainda que a montadora quer levar a novidade futuramente a toda a sua rede global de produção, incluindo a fábrica de Araquari, em Santa Catarina. O texto não informa data para essa etapa.
Como critério de decisão para operações que avaliam o mesmo caminho, a leitura editorial é começar pelo ambiente de movimentação repetitiva e compartilhada, onde o custo da infraestrutura se dilui entre muitos veículos. O limite dessa analogia é claro: o AFW opera em recinto controlado e em trajetos curtos, não em via pública. Se a sua operação tem esse perfil, vale conversar sobre o desenho técnico e os requisitos de sensoriamento antes de definir escopo.
Perguntas frequentes
O sistema AFW da BMW já está disponível no Brasil?
Não. Segundo o Canaltech, a implantação confirmada fora da Europa é na fábrica de Spartanburg, nos Estados Unidos, a partir de 2027. A reportagem afirma que a montadora quer levar a tecnologia futuramente a toda a rede global de produção, incluindo a fábrica de Araquari, em Santa Catarina, mas não informa data para essa etapa.
Quantos carros a BMW movimenta sozinha por dia e com qual confiabilidade?
A BMW realiza cerca de 3.500 trajetos automatizados por dia com o sistema AFW, segundo o Canaltech. A reportagem registra disponibilidade técnica superior a 99,5% e um acumulado de 1 milhão de carros conduzidos sem motorista desde o projeto-piloto de 2022 em Dingolfing.
O AFW exige carros com sensores ou assistências autônomas embarcadas?
Não. Conforme o Canaltech, a navegação é coordenada por uma rede de sensores LiDAR instalada nos corredores e galpões da fábrica, que envia comandos diretos para direção, freios e acelerador. Por isso o recurso funciona em qualquer versão ou configuração de carroceria, sem depender de equipamentos a bordo.






