Contatos
Nossas Redes
Simulador
Close

Contatos

Vila Olímpia
São Paulo - SP

(11) 95595-9902

contato@gtmcapital.com.br

Tokenização de ativos reais: o gargalo está na distribuição

Vista aérea do arranha-céu One World Trade Center em Nova York

Tokenização de ativos reais: o gargalo está na distribuição

Em outubro de 2018, o St. Regis Aspen Resort, um hotel de luxo no Colorado, vendeu US$ 18 milhões em participação tokenizada na rede Ethereum e virou manchete como o primeiro imóvel-troféu negociado em blockchain pública. Nos cinco anos seguintes, quase nada aconteceu: o mercado secundário prometido nunca apareceu e a onda de Security Token Offerings (STOs) que dominou 2018 e 2019 se dissolveu quase inteiramente, segundo a Exame, em reportagem publicada em 10 de outubro de 2026. O caso resume o diagnóstico que organiza o debate atual sobre tokenização de ativos reais: emitir o token nunca foi o obstáculo. Fazer o ativo circular, com liquidez, custódia e regras claras, é o que decide se o modelo decola.

Por que a primeira onda de tokenização fracassou?

O termo engana em português. “Ativo do mundo real” sugere algo físico, como um imóvel, uma safra ou um galpão, mas o critério de RWA é outro, conforme a Exame: vale como RWA qualquer ativo originado fora da rede e representado nela. Um título do Tesouro americano é uma RWA, por exemplo. Uma cota de fundo também.

A reportagem lembra que a ideia não é nova. Nasceu com os colored coins sobre Bitcoin em 2012 e 2013, ganhou capacidade de programação com os contratos inteligentes do Ethereum em 2015 e chegou às primeiras tentativas de produtos financeiros comercialmente viáveis em 2017 e 2018. No Brasil, há registros de ativos tokenizados desde 2012.

A tecnologia mudou pouco desde 2018, e a primeira geração de RWAs (Real World Assets, os ativos do mundo real) falhou por três razões, nenhuma delas o blockchain, de acordo com a Exame.

A primeira era financeira. Era possível tokenizar o ativo, mas o pagamento continuava sendo feito por TED, e a liquidação instantânea de um lado, combinada com o D+2 do outro, criava apenas um novo descasamento operacional. A segunda era regulatória: sem saber se aquele token era um valor mobiliário e sob qual regime deveria ser enquadrado, nenhum alocador institucional se sentia confortável para investir. A terceira era de custódia, porque fundos regulados não poderiam simplesmente guardar chaves privadas em um pendrive.

Nenhuma das três lacunas estava no contrato inteligente ou na rede. Todas ficavam nas interfaces com o sistema financeiro existente: pagamento, enquadramento jurídico e guarda do ativo. Para quem avalia transformar um ativo em produto digital, a lição é que a parte difícil começa depois da emissão.

O que destravou o mercado entre 2023 e 2026?

Segundo a Exame, as três lacunas começaram a ser resolvidas entre 2023 e 2026, em uma sequência que ajuda a explicar a retomada do mercado.

Primeiro vieram as stablecoins, que deram ao setor uma infraestrutura de liquidação nativamente digital. Depois vieram os títulos públicos americanos tokenizados, com BlackRock e Franklin Templeton à frente, e esse foi o ponto de virada. Surgiu o primeiro RWA com aderência real de mercado, porque respondia a uma pergunta que o investidor institucional já tinha: onde estacionar caixa on-chain rendendo juros. Por último, veio a regulação, que transformou o experimento em produto.

O detalhe revelador foi a escolha do ativo âncora. Conforme a Exame, quem destravou o mercado não foi o imóvel nem a obra de arte, mas o instrumento mais previsível e mais líquido disponível. É uma inversão do instinto de quem pensa em tokenização: o produto que abriu caminho não foi o mais atraente, e sim o mais fácil de precificar, liquidar e revender.

Onde está o gargalo agora: emissão ou distribuição?

Em setembro de 2026, de um total de US$ 33 bilhões em ativos registrados em blockchain, os títulos públicos tokenizados sozinhos respondiam por cerca de US$ 15 bilhões, quase metade do mercado, segundo a Exame. O crédito privado aparecia em segundo lugar, enquanto imóveis, commodities e ações tokenizadas dividiam o restante. O mercado de ativos reais é, hoje, majoritariamente feito de papel.

Excluindo as stablecoins, os RWAs on-chain saíram de cerca de US$ 6,5 bilhões no início de 2025 para aproximadamente US$ 26 bilhões em março de 2026 e superaram US$ 31 bilhões em julho, segundo o rwa.xyz, dados citados pela reportagem. É uma multiplicação por quase cinco em pouco mais de um ano. Incluindo as stablecoins, o mercado já passa de US$ 300 bilhões.

Todos esses números descrevem ativos com demanda institucional preexistente e canais de negociação definidos. É aí que a análise deste artigo separa fato de hipótese: o crescimento documentado pela Exame não veio de ativos exóticos recém-emitidos, e sim de instrumentos que já tinham comprador, regra e mercado secundário. O critério editorial que emerge para um líder que considera tokenizar um ativo é verificar, antes da emissão, se existem liquidação, enquadramento e custódia.

O histórico descrito pela Exame indica que a discussão deixou de ser sobre a capacidade técnica de criar o token. A pergunta que separa projetos que escalam de experimentos que param é quem compra, sob qual regra e com que possibilidade de revenda. Se a sua empresa está avaliando transformar um ativo ou produto em modelo digital, a conversa pode começar pelo contato.

Perguntas frequentes

A tokenização de ativos reais já tinha sido tentada antes?

Sim. Segundo a Exame, a ideia tem mais de uma década: nasceu com os colored coins sobre Bitcoin em 2012 e 2013 e chegou às primeiras tentativas de produtos financeiros comercialmente viáveis em 2017 e 2018. Em outubro de 2018, o St. Regis Aspen Resort vendeu US$ 18 milhões em participação tokenizada na rede Ethereum.

Por que a primeira geração de RWAs fracassou?

Conforme a Exame, a primeira geração de RWAs falhou por três razões, nenhuma delas o blockchain: a lacuna financeira, com pagamento por TED frente à liquidação instantânea, criando descasamento com o D+2; a lacuna regulatória, com insegurança sobre o enquadramento como valor mobiliário; e a lacuna de custódia, já que fundos regulados não podiam guardar chaves privadas em um pendrive. Por isso nenhum alocador institucional se sentia confortável para investir.

Qual é o tamanho do mercado de tokenização de ativos reais?

Em setembro de 2026, de um total de US$ 33 bilhões em ativos registrados em blockchain, os títulos públicos tokenizados respondiam por cerca de US$ 15 bilhões, segundo a Exame. Excluindo as stablecoins, os RWAs on-chain saíram de cerca de US$ 6,5 bilhões no início de 2025 para aproximadamente US$ 26 bilhões em março de 2026, conforme dados do rwa.xyz citados pela reportagem.

O que destravou o mercado de RWAs entre 2023 e 2026?

De acordo com a Exame, três movimentos resolveram as lacunas do setor: as stablecoins, que deram infraestrutura de liquidação digital; os títulos públicos americanos tokenizados, com BlackRock e Franklin Templeton à frente; e a regulação, que transformou o experimento em produto. O ativo que abriu caminho foi o mais líquido e previsível, não o mais atraente.

Conte seu desafio de tecnologia ou marketing

Descreva o que sua empresa precisa construir ou melhorar. Nosso time entra em contato para entender o contexto.