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Suiv: startup que organiza dados de 90% dos carros novos do Brasil

Painel de carro moderno com gráficos digitais, representando dados automotivos organizados.

Suiv: startup que organiza dados de 90% dos carros novos do Brasil

Suiv: a empresa que nasceu de uma cerveja e organiza dados de 90% dos carros novos do Brasil

A Suiv, startup fundada por Maximiliano Porta e Ronaldo Fernandes, desenvolveu uma arquitetura própria para padronizar dados técnicos automotivos e integrar informações de veículos, peças, revisões, recalls e manutenção em uma única plataforma. Hoje, a empresa organiza dados de 90% dos carros novos do Brasil, segundo informações divulgadas pela Exame em 17 de maio de 2026.

Como surgiu a Suiv?

A ideia da Suiv nasceu há cerca de 11 anos, depois de uma conversa regada a cerveja e das "cicatrizes" acumuladas após anos convivendo com os problemas do setor automotivo. "Ninguém resolvia a arquitetura de dados. Cada empresa tinha um banco de dados diferente, nenhum sistema conversava com o outro e o cliente precisava contratar vários fornecedores para conseguir informações básicas", disse Maximiliano, hoje CEO da startup, à Exame.

Maximiliano é formado em ciências contábeis e possui MBA em gestão estratégica econômica de negócios, com passagem por áreas como gestão de frotas, seguros, oficinas e segurança viária. Ronaldo Fernandes também construiu toda a trajetória no mercado automotivo, especializando-se em arquitetura e processamento de dados automotivos. Os dois se conheceram em relações de cliente e fornecedor. "Nos cruzamos várias vezes ao longo da carreira. A gente brinca que virou amigo por falta de opção", afirmou Maximiliano.

Durante cerca de oito meses, os fundadores se dedicaram exclusivamente a desenhar a estrutura da plataforma e estudar formas de transformar centenas de bases incompatíveis em um padrão único. Em vez de atuar apenas em uma etapa da cadeia, como peças ou revisão, a Suiv decidiu reunir tudo em uma única infraestrutura.

Qual o problema que a Suiv resolve?

Um mesmo carro pode ter nomes diferentes dependendo da montadora, da tabela Fipe ou do cadastro oficial do governo. Uma única peça pode aparecer com códigos e descrições diferentes em cada fabricante. No meio disso, oficinas compram peças erradas, distribuidores enfrentam devoluções, marketplaces lidam com logística reversa e empresas perdem dinheiro tentando conectar sistemas que não conversam entre si.

De acordo com dados da Suiv, cerca de 22% das compras digitais de peças automotivas terminam em devolução porque o item enviado não é compatível com o veículo. Ao mesmo tempo, apenas 6% das vendas do setor de autopeças no Brasil acontecem no ambiente digital. Em mercados mais maduros, como Estados Unidos e Europa, esse percentual é significativamente maior.

A plataforma da Suiv atende diferentes atores da cadeia automotiva, como oficinas, locadoras, gestores de frota, distribuidores, marketplaces e fabricantes de peças.

Resultados financeiros e projeções

A Suiv figurou no ranking EXAME Negócios em Expansão 2025 depois de registrar receita operacional líquida de R$ 6 milhões, com crescimento de 29% em relação ao ano anterior. Em 2025, porém, a receita avançou apenas 2%.

Segundo Maximiliano, a desaceleração aconteceu porque a empresa passou a ser vista menos como fornecedora de software e mais como uma infraestrutura estratégica de dados para o mercado automotivo, o que mudou o perfil das negociações. Contratos que antes seriam fechados em um modelo tradicional de cliente e fornecedor passaram a envolver discussões estratégicas, conselhos administrativos e conversas de longo prazo.

Ainda assim, a expectativa da companhia é voltar a acelerar nos próximos meses. A projeção para 2026 é crescer pelo menos 25%, principalmente por causa do reposicionamento da marca, dos novos produtos ligados à Inteligência Artificial e do avanço da digitalização da cadeia automotiva brasileira.